A geração da mentira

Acho que uma das características mais marcantes dessa geração Y (da qual, eu feliz e infelizmente faço parte) é a possibilidade de ser assumidamente multi-tarefa: ninguém mais tem mais apenas uma profissão, o que é maravilhoso porque assim a gente aprende a desenvolver competências profissionais mais versáteis, o que é uma exigência assumida do mercado. Por outro lado, tem tanta gente que se aproveita disso pra fazer uma auto-promoção mentirosa e incoerente que dá nojo de acompanhar.

Aliás, ô geraçãozinha pra gostar de aparecer essa daqui. A verdade é que tem uma grande parcela dessas pessoas que não produz muito além das projeções que idealizaram para si próprias, que consistem na ambição de serem jovens bem-sucedidos antes dos 30, informados, hypados, lançadores de tendências, viajantes globais, e todos os empregos que permeiam a o universo hipster, que geralmente começam em inglês: creative directors, curators, coolhunters, consultants, e por aí vai. Nada vezes nada ao quadrado.

Eu fico chocado como as pessoas conseguem acreditar em seus próprios arquétipos e se auto-intitularem C.E.Os de organizações de um homem só; creative directors de pseudoempresas (fazer uma logo no Photoshop não te transforma em uma pessoa jurídica, muito menos de respeito); ou editores-chefes, quando não publishers, de seus blogs. Falando em blogs, dá pra apontar a vontade latente de blogueiros em não se intitularem mais blogs por conta da pasteurização editorial do mercado (para não dizer orkutização), principalmente de moda feminina. Agora são diretoras-executivas de seus portais.

Outro ponto forte dessa ladainha de ‘profissionais do futuro’ é a capacidade de ser consultor de porra nenhuma. Sugiro a todos vocês muito cuidado ao fazer os próximos telefonemas para pedir uma simples opinião ou sanar alguma dúvida, pois você automaticamente pode estar ‘contratando uma consultoria grátis’, e se transformar em mais um cliente de algum vasto portfólio, ainda que seja de alguém tão jovem. Além de fantasioso, é principalmente anti-ético.

Estar rodeado de gente – principalmente nas redes sociais – se idealizando e vendendo desse jeito me dá um aperto no coração, por ver que a geração da qual eu cronologicamente faço parte, que deveria ser a mais esclarecida que já existiu, se perde em seu próprio narcisismo e deságua nos subterfúgios de títulos sem importância. E essa gente ainda é a primeira a trollar absolutamente tudo, talvez porque não saiba de verdade o significado de trabalhar.

Que vergonha. Pau no cool.

Caio Braz ©

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s