Eu vou errar novamente.

Todos os dias quando acordo eu sempre falo pra mim: Eu não vou errar novamente. Eu não vou errar novamente. Nunca mais amor. Nunca mais amor. Mas claro que eu vou errar!

Lembro claramente daquele dia que nos conhecemos: na praia, ouvindo o barulho do mar, das crianças correndo na areia, aquele sol escaldante de 36° graus que penetrava até a camada mais profunda da minha pele. Ah, que dia lindo para passear de mãos dadas pelo calçadão de Copacabana. No dia seguindo, estava eu lá, grudado no celular, respondendo seu “bom dia” e tentando não criar expectativas. Com aquele riso sem motivo, sonhando acordado e esquecendo de tudo que falei a mim mesmo. Parece que os anos e as cicatrizes não me ensinaram a ter o pé no chão.

Não se apaixone rápido demais.

– Não se entregue rápido demais.

– Não sonhe demais.

– Não crie expectativas demais.

– Seja menos intenso.

– Amor não. Amor não.

– Não, não e não.

E derrepente tudo vira uma bagunça novamente.
Eu sei de todos os riscos. Sei até que daqui a um tempo, eu vou me odiar por esse momento e me perguntar onde eu estava com a cabeça: em um momento eu tinha aparentemente tudo sob controle, então porque eu decidi abri mão de tudo e me envolver em um erro? Mas como não errar? Como resistir? Não tem como.

Acho que quando temos o coração partido e pisoteado várias vezes, criamos regras pra nos proteger e nunca mais tentar. Nunca mais amor. Amor é uma armadilha. Amor machuca. Amor dói.

Mas desta vez, não vou colocar a culpa de ter errado em mim, mas sim em você. Você será o culpado por todos os erros que eu cometi e todas as regras que eu prometi pra mim mesmo nunca quebrar-los.

A culpa é sua pelo seu sorriso lindo e tímido. Pelo toque das suas mãos na minha pele e que me deixavam arrepiado. Pelo jeito que você cruzava seus olhos sobre os meus, então ficava sem jeito e desviava o olhar.

Pelo jeito que você fazia cafuné nos meus cabelos sendo que odeio quem pega neles. Pelo seu beijo safado, quente e molhado com sabor de quero mais. Pela vontade enorme de errar em todas as partes da sua cama, seu quarto, seu corpo.

A culpa é sua pelo convite para tomarmos banho e ficávamos ali, parados no tempo, abraçados debaixo do chuveiro por minutos. A culpa é sua por me deixar a vontade para eu ser quem realmente era: sem máscaras, sem jogos, sem mentiras. A culpa é sua por me deixar tão a vontade comigo mesmo, a ponto de ficar me admirando e passando a mão sobre o meu corpo completamente nú.


A culpa é sua por deixar minhas emoções à flor da pele, inebriado e embriagado de paixão. A culpa é sua pelas borboletas que eu sentia no estômago. Por ter sido um ótimo amante, ouvinte e a pessoa mais fofa que já conheci.

Você é mais culpado ainda por ter aparecido na minha vida quando eu já estava de malas prontas para partir… Partir, talvez seja uma palavra muito forte. Talvez, seja um até breve ou, talvez não. Não sabemos do tempo, não sabemos como as coisas vão estar daqui uns dias, meses, anos. Enfim. Apenas culpo você por ter me feito quebrar todas as regras que eu criei para me proteger. Obrigado!

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